Eu queria, eu poderia, se não pelo simples fato de que não devemos querer e poder tudo.
Eu queria, eu poderia, se não pelo simples fato de que não devemos querer e poder tudo.
Injeta em mim mais uma dose desta PINA que eu quero me arrebatar.
Poderia estar o cinza que fosse esta minha quinta, nada apenas isso poderia transformar e assim o fez. Com pode uma pessoa ter uma força tão grande de passar em sua arte um sentimento tão íntimo que pode estar dentro de qualquer um, transformar o que não se é dito em palavras claras. Em cada cena dá vontade de gritar, de explodir cada sensação grudada, de dizer “é isso mesmo!”.
Me tocou fundo como alguém que te dá um abraço de carinho, um tapa na cara, um alguém que te coloca para dormir e para acordar. É forte, é leve, é intenso, para rir, para chorar, para apavorar e despertar. É tão dúbio, tão complexo como tudo isso aqui dentro.
Lindo, lindo, lindo.
Há coisas tão incrivelmente especiais que pensamos o porquê de não termos tido contato antes.
PINA. Um filme sobre a arte de Pina Bausch.
Tem que ser “fudid…” pra bancar o estilo! Dá uma olhada nestes looks do The Sartorialist. Super inspirada pelo ritmo invernal, até que enfim.
” Esta ária que me deixa obcecada dia e noite
Esta ária não nasceu hoje,
Vem de tão longe quanto eu venho,
Arrastada por cem mil músicos.
Um dia essa ária me deixará louca
Já quis dizer cem vezes por que,
Mas, ela me cortou a palavra,
Ela sempre fala na minha frente
E sua voz cobre minha voz
Padam…padam…padam…
Ela chega correndo atrás de mim
Padam…padam…padam…
E me apanha com aquele “você se lembra?”
Padam…padam…padam…
É uma ária que me aponta o dedo
E arrasto atrás de mim, como um estranho erro,
Esta ária que sabe tudo de coração. Ela diz: “Lembra-te de teus amores.
Lembra-te, que é tua vez,
Não há razão para que não chores
A braços com tuas recordações”
E eu revejo as que restam
Meus 20 anos falam alto,
Vejo os gestos que se debatem,
Toda a comédia dos amores
Nessa ária que prossegue sempre
Padam…padam…padam…
Os “eu te amo” de 14 de julho
Padam…padam…padam…
Os “sempre” que se compram com desconto
Padam…padam…padam…
Os “se quiseres” aos montões
E tudo isso para dar, bem na esquina,
Com a ária que me reconheceu.
Escutem a balbúrdia que ela me faz,
Como se todo o meu passado desfilasse.
É preciso guardar (um pouco de) tristeza para depois
Tenho todo um solfejo desta ária que bate…
Que bate como um coração de madeira…”
Edith Piaf, Padam Padam
“Achei ter visto um poço, que era o passado, em que iam caindo pessoas, animais e coisas… e o futuro, pela borda aparecem pessoas e coisas novas, como se fossem ficar, mas também caem e desaparecem do nada”.
Adolfo Bioy Casares, Diário da Guerra do Porco.
De todos os sentimentos, o pior é a contenção. E caso precise conter-me, em um momento escapa o que está guardado, para o lado errado e da maneira errada. Este é o curso de sempre. Contenção não é o meu forte, mas se preciso for, iremos a mais uma tentativa. Mas depois não poderá reclamar caso exploda um sentimento diferente a esse que está agora querendo sair.
As pessoas! Esta relação entre pessoas… o que é isso senão complexidade, medo que bate três, dez, mil e um monte de dedos. Tédio, um grande tédio que dá em pensar em começar, em se dispor, disponibilizar o tempo da vida, disponibilizar-se, e o coração? O coração quando chega até a boca querendo escapar. E aí? Só o contrário se pode fazer, fechar a boca, “tempo ao tempo”, deixar rolar, e aí? O que fazer com o coração? Ele, vida a parte, ausente do comando, que só faz senão explodir. Você pede “calma aí!” Aí é explosão de tédio. E que tédio esta relação entre as pessoas, todo o início com medos e dedos, e dúvidas, e…medos. E cautela. Nada senão cautela.
Nina Simone