Me apaixonei pelo filme O Artista, mesmo tendo ido ao cinema com um pé atrás. De tão paparicado,  pensei em ficar na ala do contra e dizer “não gostei”, mas foi impossível. Merece o Oscar de Melhor Filme, Melhor Trilha Original e Melhor Fotografia (apesar que gosto bastante da fotografia do A Árvore da Vida). E como sou fã do Woody Allen, Meia Noite em Paris não pode passar desapercebido. Estou torcendo por ele nas categorias de Melhor Roteiro Original e de Melhor Diretor (sempre!). Claro que Woody Alen não deve estar muito aí para isso.

Na categoria de Melhor Atriz não posso dizer muito, pois os dois filmes que estou louca para ver ainda não estrearam por aqui; A Dama de Ferro com a Meryl Streep e Sete Dias Com Marilyn com a Michelle Williams. Vamos fazer assim: o Academia poderia dar um prêmio especial para a Meryl Streep por tudo o que ela já realizou e premiar a Michelle Williams, que é incrível!

Melhor ator: hum! Estou entre George Clooney e Jean Dujardin. E agora? Jean Dujardin! E como Os Descendentes é um filmaço, vamos deixá-lo com o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado.

E Melhor Filme em Lingua Estrangeira? Não assisti os outros, mas nem mudaria de opinião, com certeza. É A Separação sem sombra de dúvidas. O melhor filme que vi no último ano.

Chega né!

Ahh, para não esquecer. O prêmio de Melhor Ator Coadjuvante deveria ser dado ao super dog do O Artista. Não sei porque ele não entrou na briga. rs. Coisa mais fofa.

É lindo de tão triste.

Não existe amor em SP,
Um labirinto místico,
Onde os grafites gritam,
Não dá pra descrever,

Numa linda frase,
De um postal tão doce,
cuidado com doce,
São Paulo é um buquê,

Buquês são flores mortas,
Num lindo arranjo,
Arranjo lindo feito pra você,
Não existe amor em SP.

Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganancia vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fél
Aqui ninguém vai pro céu,

Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você,

Encontro duas nuvens em cada escombro em cada esquina,
Me dê um gole de vida,

Não precisa morrer pra ver Deus

Criolo

“O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o
[ calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
           [ doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
                                    [ clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus…

Recebe com simplicidade este presente do
                             [ acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
                                 [ séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
                                 [ espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles… e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.”

Carlos Drummond de Andrade

*tudo está dito. Obrigada Drummond!

Esta foi a semana dos filmes que narram dramáticas relações em família. E QUE FILMES! Dois deles incrivelmente espetaculares e distintos entre si.

Sábado, no meu amado Reserva Cultural foi o dia do iraniano “A Separação”. Na minha opinião o grande merecedor dos prêmios que recebeu em Berlim, do Globo de Ouro e do já quase lá, o Oscar.

“A Separação” nos apresenta um Irã longe dos estereótipos que a mídia nos conduziu até então. Tudo graças ao genial Asghar Fahardi, diretor, roteirista e produtor. E este papel de Asghar, em minha opinião, já brilha por si só. Narrando um drama familiar, ele revela ao mundo um Irã muito além de  Ahmadinejad. Nos apresenta a sociedade iraniana, a influência da cultura e da religião no cotidiano do povo e toda a transformação que o país vem sofrendo pouco a pouco. É um filme humano, que nos mostra que não é preciso apelar  ao óbvio para retratar a história de um país. Não é, Brasil?

E para fechar com chave de ouro, a decisão por um final sem “um final”, sem conclusões, sem julgamentos. Brilhante a última cena já com os créditos, onde todos que estavam na sala, ainda imóveis nas cadeiras, procuravam captar todas as informações incríveis que o filme trouxe. Mil estrelas!

E domingo, no agora Espaço Itaú, o indigesto “Precisamos Falar Sobre o Kevin”. Saí do cinema com a certeza de ter assistido a um brilhante filme, mas de ter me incomodado profundamente. Claro! A história não é nada agradável. Uma dura crítica ao papel dos pais na educação dos filhos, ou não. Não consegui entender, pelo teor da monstruosidade do “querido” Kevin, se a família pode ou não mudar destinos como os parecidos com este que o filme retrata.  Fui atropelada! Roteiro fantástico!

Mas, no balanço final, fico com “A Separação” e com o Reserva! Cinema de primeira!

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