“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
E o mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara”

Lenine

http://www.vagalume.com.br/lenine/paciencia.html#ixzz1kavPX9ks

São Paulo que nasci e não arredo pé. São Paulo como pessoa, com tremenda personalidade, imponente e múltipla, que atrai o melhor e o pior, querida e odiada. Sucumbo-me.

Difamam-a nas esquinas, mas não a deixam. Penso nos ingratos, todos, anos a fio por aqui. São Paulo é vício e não há nada igual. Apenas a acho tímida de sua grandiosidade. Não se subjulgue ou intimide-se. Firma-te São Paulo e aceita-te como este caldeirão. Sua personalidade é global!

Cresceu sem a necessidade da propaganda bairrista, e brilhou mais que qualquer outra. Não precisa de nomenclatura, para mim é capital. Sempre foi a capital. Não é a princesinha, é a rainha e a moradia de todos os santos.

Parabéns minha louca linda!

 

 

Me atraio pelo silêncio do vento, do mar, do descanso do meu corpo, da minha mente, do vôo dos pássaros, dos sonhos, do silêncio da felicidade e da profunda tristeza, do basta, da pausa, do ponto final.

Não quero o silêncio do medo, surpeficial, do que não se interessa, não se importa, não se manifesta. Do silêncio egoísta, da imagem que não é.

O silêncio quando querido é arte é poesia.

“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.”

Gregório de Matos

“Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para
a insanidade.

(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo
do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com
estrondo

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente)”.

Canção de Amor da Jovem Louca – Silvia Plath

Há sentido em dizer que somos capazes de mudar, de sermos quem quisermos ser em qualquer espaço e tempo?

Sermos totalmente diferentes daquilo que costumamos ser? Tomar atitudes diferentes, seguir caminhos contrários?

Ou não há sentido nisso? Este sentimento de mudança é apenas um reflexo momentâneo contrário a atitudes que não desejamos e que repetidamente realizamos. Que a natureza está cravada em cada corpo e mais cedo ou mais tarde, esta natureza volta a se manifestar e, como qualquer animal, cedemos ao instinto.

Mergulhada em dúvidas, ouvi em uma coincidência absurda Nina Simone no meu computador “Everything must change”. E talvez seja este impulso consciente da necessidade de mudança que me deixou assim. Sinto-me diferente. Com vontades e interesses diferentes.

Nasci sob o signo mais mutável, com impulsos segundo a segundo, mas algo está agudo, sinto-me inclusive podendo respirar numa certeza chegando a cem de que é exatamente isso.

“Nothing stays the same. Everyone will change. No one, no one stays the same. Nothing stays the same”.

Espero que haja sentido para não tornar-me a única certa de estar passando por algo totalmente sem razão.

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